Notícia Todo Dia NTD
Carros & Mais

Carros elétricos crescem no Brasil entre promessas e obstáculos

23/07/2025 20:35 Por Redação NTD

 

Com apelo ambiental e economia a longo prazo, veículos elétricos enfrentam entraves como autonomia limitada, preço alto e falta de infraestrutura

Os carros elétricos vêm ganhando espaço no Brasil, impulsionados por avanços tecnológicos, promessas de sustentabilidade e incentivos pontuais. Eletrificados já somam 9,8% do mercado em 2025. E estima-se que em 2035 o país terá 5,5 milhões de carros elétricos em circulação — segundo um estudo da consultoria Kearney, encomendado pela General Motors.

No entanto, apesar do entusiasmo, a popularização desses veículos ainda esbarra em dificuldades práticas que afetam diretamente o consumidor. Um dos principais obstáculos é a autonomia reduzida: muitos modelos de entrada ainda rodam bem menos com uma carga completa do que um carro a combustão com o tanque cheio — o que, mesmo com avanços recentes, continua pesando na hora da compra.

Outro fator que dificulta a adoção em massa é o tempo de recarga. Enquanto um carro convencional é abastecido em poucos minutos, os elétricos podem levar entre quatro e oito horas para carregar em pontos comuns. Carregadores ultrarrápidos, capazes de reduzir esse tempo, ainda são raros e concentrados em grandes centros urbanos ou corredores rodoviários estratégicos, como o eixo Rio-São Paulo, deixando outras regiões com infraestrutura limitada.

Essa limitação de pontos de recarga é um dos maiores gargalos. Embora alguns modelos, como o BYD Dolphin, incluam carregadores residenciais do tipo Wallbox, eles têm custo elevado — entre R$ 2 mil e R$ 10 mil — e sua instalação em condomínios pode ser inviável. Sem essa opção, o motorista depende de carregadores públicos, que são escassos, frequentemente ocupados ou inoperantes, o que dificulta especialmente viagens longas ou deslocamentos fora do perímetro urbano.

No campo financeiro, o preço inicial também pesa. Mesmo após cortes de preços, modelos como o Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990) e o BYD Dolphin Mini (R$ 115.800) ainda competem com versões bem equipadas de carros a combustão. Embora o custo-benefício dos elétricos esteja melhorando, a combinação de alto investimento inicial e infraestrutura precária torna o negócio arriscado para muitos consumidores. A vida útil da bateria também é uma preocupação: apesar de durarem anos, sua substituição pode custar mais da metade do valor do carro.

Nem tudo está perdido

Por outro lado, os carros elétricos oferecem uma série de vantagens. A principal delas é a emissão zero de poluentes durante o uso. Em um país com matriz energética majoritariamente limpa, como o Brasil, isso potencializa o impacto ambiental positivo. Além disso, estudos indicam que, em um ciclo de 100 mil km, o CO₂ gerado na fabricação do carro elétrico é compensado — algo que não ocorre nos modelos a combustão, que seguem poluindo ao longo do tempo.

Os pontos positivos incluem a economia de combustível — com custo por quilômetro muito inferior ao da gasolina — baixo ruído, maior eficiência energética e manutenção simplificada, graças à menor quantidade de peças móveis. Benefícios fiscais, como isenção de IPVA em alguns estados e liberação do rodízio em cidades como São Paulo, também ajudam a atrair compradores. O desafio agora é transformar essas vantagens em realidade para um número maior de brasileiros, o que depende diretamente de avanços em infraestrutura, políticas públicas e redução de custos.